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terça-feira, novembro 22, 2011

ONU

Brasileira é premiada na Suécia por trabalho com refugiados e migrantes.


Dinalva Heloiza

Brasileira Aline Cordeiro, em seu trabalho com refugiados

Após mudar-se para a Suécia, há sete anos, a brasileira Aline Cordeiro Andersson percebeu que migrantes e refugiados tinham muitos pontos em comum, entre eles o fato se serem recém-chegados a um novo país com idioma diferente e a necessidade de adaptação a uma cultura distinta.

Sensibilizada com o tema, passou a estudar questões migratórias, e, em caráter voluntário, realizou uma série de entrevistas com migrantes e refugiados vivendo na região da cidade Örnsköldsvik, no norte do país. Com base nestes estudos e na sua pesquisa, constatou que os migrantes e refugiados podem ser mais bem integrados e vistos como um recurso – e não um problema – para a comunidade que os recebe.

Da teoria para a prática, Aline se uniu à associação IKF (‘Internationella Kvinnoförening’ – ou Associação Internacional de Mulheres), também em caráter voluntário. Ela participa em diferentes atividades com migrantes e refugiados, especialmente mulheres, visando facilitar a integração destas pessoas no país. Seu trabalhou chamou a atenção das autoridades locais, e Aline acabou recebendo o prêmio anual de cultura oferecido pela prefeitura de Örnsköldsvik.
Casada e mãe de dois filhos, esta brasileira do Rio de Janeiro faz atualmente um curso de pós-graduação em Sociologia do Direito e pretende se especializar no tema migrações. A seguir, em entrevista ao ACNUR, ela conta um pouco da sua história.

Por que você se envolveu com questões relacionadas à migração e ao refúgio?

Quando me mudei para a Suécia, percebi que muitas coisas que passamos como migrantes se assemelham ao que os refugiados passam: a distância do país de origem, a necessidade de recomeçar a vida do zero, aprender uma língua e uma cultura completamente diferentes da sua, a luta para se restabelecer. E, muitas vezes, a discriminação. Por isso, comecei a estudar sobre migrações, encontros culturais, xenofobia e mudança de identidade.

Você já desenvolvia trabalhos humanitários no Brasil?

Tudo começou em casa. Fui criada por minha avó, e sempre a via recebendo pessoas que não tinham condições financeiras. Ela abriu seus braços para seis filhos de outras pessoas, mesmo sendo pobre e sozinha.

Como e quando começou seu trabalho com a causa dos refugiados e migrantes?

Na cidade de Örnsköldsvik, me movimentei em defesa desta causa, movida pela vontade ajudar essas pessoas. Passei então a entrevistar os refugiados e distribuir enquetes, querendo saber como eles se sentem e se a integração na sociedade está funcionando. Comecei a me preocupar com o isolamento social das crianças estrangeiras, migrantes e refugiadas, pois são as que mais sofrem com essa separação entre estrangeiros e nacionais. Há sempre certa intolerância com migrantes e refugiados, e essa é uma barreira muito grande para eles.

Fale sobre seu trabalho atual.

Sou secretária da associação IKF (‘Internationella Kvinnoförening’ – ou Associação Internacional de Mulheres), que presta assistência e atividades para integração de refugiados recém-chegados à Suécia. São pessoas sem referências ou contatos, e a associação é um ponto de encontro que pode ajudá-los na integração por meio do aprendizado da língua e de atividades como costura e culinária. Ser um refugiado não é fácil, pois além de sair de um ambiente de lutas e perseguições, é preciso se adaptar a uma nova situação. Defendemos investimentos públicos em um centro cultural étnico para que a população conheça sobre outras culturas para reduzir a fobia a estrangeiros. Temos reuniões com políticos da cidade para discutir novas ideias. Também escrevo para jornais e revistas.

É um trabalho de equipe?

Trabalho com amigas da Suécia, e formamos uma espécie de “conselho” da associação. Toda semana nos juntamos para receber refugiados e fazer atividades, círculos de estudo e passeios. Muitas vezes, levo meus filhos comigo para que possa aprender a se comunicar com pessoas de todo o mundo. O interesse por outras culturas por parte dos nacionais favorece a integração de refugiados. Muitas pessoas dizem que não deveria engajar nesta causa, pois não sou uma refugiada. Mas não dou ouvidos. Minhas amigas suecas que participam deste trabalho voluntário também deveriam ser premiadas.

Como foi receber um prêmio pelo seu trabalho?

Fiquei muito feliz ao receber o prêmio da Cultura oferecido pela prefeitura de Örnsköldsvik no ano passado. Esse prêmio foi resultado de um trabalho que fiz durante um ano, pesquisando sobre os refugiados, sua situação psicológica e social, escrevendo para a prefeitura e para os políticos, lutando contra a discriminação. Sinto-me muito honrada, especialmente pelo fato de ter nascido em outro país, assim como os refugiados com quem trabalho.

(Por Mariana Muniz e Isabela Maia, de Brasília, para o ACNUR)

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