sábado, abril 04, 2026

A Manipulação Invisível: Um Ensaio Sobre os Caminhos Silenciosos do Abuso Espiritual

 


Dinalva Heloiza


A manipulação psicológica e aliciamento espiritual exercida por grupos religiosos, doutrinários e seitas no Brasil e em todo o mundo, é algo terrivelmente sério, e necessita ser investigado pela justiça em todos os aspectos. Essa manipulação na maioria das vezes pode em muitos casos não se apresentar à princípio de forma evidente. Ela não chega como imposição, mas como acolhimento. Não se revela como controle, mas como cuidado. 

É justamente nessa ambiguidade que reside sua força. Na obra Abuso Espiritual: A Manipulação Invisível, o filósofo Gabriel Perissé nos conduz por um território delicado e, ao mesmo tempo, profundamente necessário: o da compreensão de como o sagrado pode ser instrumentalizado para subjugar, silenciar e moldar consciências.

sábado, março 07, 2026

8 de Março: Quando a nossa luta ainda é sobreviver à violência!

  

 Dinalva Heloiza


Em 2025, o Brasil atingiu um marco trágico: o maior número de feminicídios desde que o crime foi tipificado em lei, em 2015. O dado não representa apenas um recorde estatístico — ele expõe uma realidade brutal e persistente: para milhões de mulheres, viver em sociedade ainda significa conviver diariamente com o risco da violência.

De acordo com dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, compilados no início de 2026 com base nos registros de 2025, 1.568 mulheres foram assassinadas por razões de gênero no Brasil. Isso representa uma média de aproximadamente quatro mulheres mortas por dia simplesmente por serem mulheres. O número supera o recorde anterior registrado em 2024, confirmando uma escalada preocupante da violência de gênero no país.

Por trás de cada número existe uma história interrompida: uma mãe, uma filha, uma amiga, uma profissional, uma vida inteira de sonhos e relações que se dissolve em um ciclo de violência que a sociedade ainda não conseguiu romper.

terça-feira, fevereiro 17, 2026

Manifesto contra Falsos Ecos

 

Dinalva Heloiza


Chamam-se amigos.
Sentam se à mesa.
Sorriem na fotografia.
Brindam à sua coragem —
e logo depois brindam à sua queda.

Vestem a capa da liberdade de expressão
como se fosse salvo-conduto
para ferir.

Confundem opinião com ofensa,
crítica com difamação,
verdade com conveniência.

Erguem discursos inflamados
não para iluminar,
mas para incendiar.

E o mais cruel:
acusam no outro
aquilo que secretamente cultivam.
Projetam suas sombras
na luz de quem está íntegro.

sábado, janeiro 10, 2026

Neurotecnologia e ética: quando o avanço científico toca a mente humana!

  

Unesco faz recomendação inédita para uso ético da neurotecnologia - Orientações entraram em vigor no dia 12 de novembro de 2025.

Dinalva Heloiza


A possibilidade de acessar, monitorar e até modificar a atividade do cérebro humano já não pertence mais ao campo da ficção científica. Presente em implantes cocleares, que restauram a audição, e em estimuladores cerebrais utilizados no tratamento de doenças como Parkinson e depressão, a neurotecnologia vem ganhando espaço em escala global, com dezenas de milhares de usuários em todo o mundo.

No entanto, à medida que essa tecnologia avança para além da medicina — alcançando áreas como educação, mercado de trabalho, consumo e entretenimento — cresce também a preocupação com seus impactos éticos, sociais e legais. O acesso direto ao cérebro humano, às emoções, aos padrões de comportamento e até à personalidade impõe desafios inéditos à proteção dos direitos fundamentais.

domingo, janeiro 04, 2026

O Humano que Ainda Resiste em cada um de nós, necessita retomar seu protagonismo, só assim construíremos um mundo melhor!

 Discorrendo entre os autores Hannah Arendt e Yuval Harari — um ensaio sobre a alma, o poder e o reencontro com o sensível

Dinalva Heloiza



Há milênios caminhamos sobre as ruínas e os brilhos de nós mesmos. De tempos em tempos, a humanidade se reinventa — mas quase sempre tropeçando na própria sombra. Inventamos o fogo, a roda, a máquina, a rede… e, com cada invenção, criamos também uma nova forma de domínio.

Eis o paradoxo do humano: avançamos em tudo, menos em ternura. Hannah Arendt olhou esse abismo de frente.

Viu que o mal não precisa de monstros para existir — basta a ausência de pensamento. Ela percebeu que o horror pode nascer do cotidiano, da obediência cega, da burocracia sem alma.
Chamou isso de a banalidade do mal — essa quietude do espírito que permite o inaceitável.