Dinalva Heloiza
Chamam-se amigos.
Sentam se à mesa.
Sorriem na fotografia.
Brindam à sua coragem —
e logo depois brindam à sua queda.
Vestem a capa da liberdade de expressão
como se fosse salvo-conduto
para ferir.
Confundem opinião com ofensa,
crítica com difamação,
verdade com conveniência.
Erguem discursos inflamados
não para iluminar,
mas para incendiar.
E o mais cruel:
acusam no outro
aquilo que secretamente cultivam.
Projetam suas sombras
na luz de quem está íntegro.
