Dinalva Heloiza
Vivemos a era da informação. Nunca a humanidade produziu tantos dados, tantas imagens, tantos sons e tantas formas de comunicação. Paradoxalmente, nunca estivemos tão distantes do silêncio.
O silêncio, hoje, tornou-se um artigo de luxo.
As cidades contemporâneas parecem ter declarado guerra à serenidade. Buzinas incessantes, escapamentos adulterados, veículos transformados em caixas de ressonância, equipamentos de som em volume incompatível com a convivência coletiva, publicidade sonora, aparelhos eletrônicos que disputam nossa atenção a cada segundo, notificações que jamais cessam e uma trilha sonora permanente imposta ao espaço público compõem aquilo que talvez seja uma das maiores epidemias silenciosas — ou melhor, ruidosas — do século XXI.














