Dinalva Heloiza
Chamam-se amigos.
Sentam se à mesa.
Sorriem na fotografia.
Brindam à sua coragem —
e logo depois brindam à sua queda.
Vestem a capa da liberdade de expressão
como se fosse salvo-conduto
para ferir.
Confundem opinião com ofensa,
crítica com difamação,
verdade com conveniência.
Erguem discursos inflamados
não para iluminar,
mas para incendiar.
E o mais cruel:
acusam no outro
aquilo que secretamente cultivam.
Projetam suas sombras
na luz de quem está íntegro.
Falam de caráter
com a língua da intriga.
Falam de ética
com as mãos sujas de manipulação.
Chamam de sinceridade
o que é apenas violência travestida.
A amizade, que deveria ser abrigo,
torna-se arena.
O diálogo, que deveria ser ponte,
vira trincheira.
E assim, em nome de uma suposta verdade,
rasgam reputações,
deturpam gestos,
torcem intenções,
e celebram o eco do próprio ódio.
Mas há algo que esses não compreendem:
A honra não se destrói com ruído.
A integridade não se desfaz com mentira repetida.
A verdade não precisa gritar —
ela permanece.
Quem vive de atacar
acaba prisioneiro da própria palavra.
Quem constrói sobre a difamação
mora em terreno movediço.
Porque amizade não é palco de vaidades.
Não é disputa de narrativas.
Não é instrumento de poder.
Amizade é lealdade mesmo no silêncio.
É correção com respeito.
É diálogo antes do julgamento.
É ética quando ninguém está olhando.
Que os falsos ecos se dissipem.
Que o ódio se canse de si mesmo.
E que permaneçam —
firmes, serenos,
os que escolhem a verdade
sem ferir,
a liberdade
sem destruir,
e a amizade
sem trair.

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