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sexta-feira, outubro 21, 2016

Ao enfrentamento da crise, é imperativo ao estado colocar os jovens como prioridade!

Dinalva Heloiza


Quando se observa o cenário dos países em desenvolvimento, onde a crise ocorre num contexto de menor participação do estado, é possível verificar riscos acumulados nos estratos mais vulneráveis, onde a maioria da população se encontra na linha da juventude, fato este, que exige maior responsabilidade dos governos ao desenvolver estratégias, e que não somente, visem o crescimento econômico como saída para a crise, mas que se estabeleça objetivos amplos à esse crescimento.

Neste cenário, faz-se imperativo e necessário implementar abordagens e programas estratégicos abertos a participação de jovens, qualificá-los e capacitá-los para fazerem parte das soluções. Isso envolve, abandonar a discriminação por idade, deixar de inviabilizar as oportunidades aos jovens e centrar-se em seus problemas e estigmas.

Em uma entrevista à SHSNews, Dina Krauskopf*, Diretora de Projetos da Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais (FLACSO - Chile), e consultora de muitas organizações internacionais da ONU, sobre questões relacionadas ao desenvolvimento do adolescente, lembra que, “os jovens são os pilares naturais em uma resolução da crise, onde eles tem a capacidade de agir como atores estratégicos ao seu próprio desenvolvimento. Se essas condições não são oferecidas pelo estado, à partir de uma observação de que a crise não é algo conjuntural, mas estrutural, estagna-se, pois os substitutos não estarão preparados à exemplo do processo natural de seleção da vida, onde “cai o velho e nasce o novo”.

O enfrentamento da crise, em particular nos países menos desenvolvidos, deve alcançar os jovens como prioridade, viabilizando a busca por melhores condições à cidadania, onde se estabelece a sua inclusão aos projetos de cada país.


Quando as Nações Unidas proclamaram 1985 como “Ano Internacional da Juventude,” houve um grande impacto, pois a iniciativa forneceu um impulso significativo ao desenvolvimento da juventude. Centros de Pesquisas foram estabelecidos em apoio à juventude na América Latina, redes de jovens, agências governamentais nacionais e internacionais, até mesmo em alguns países se estabeleceu ministérios, priorizando a prestação de serviços destinados aos jovens, os quais não existiam antes.

A comunidade internacional e um conjunto de organismos supranacionais, desenvolveram quadros e diretrizes operacionais com o objetivo de implementar o surgimento de iniciativas em diferentes áreas do desenvolvimento da juventude. Um grande leque de ações aprofundaram as perspectivas e práticas sobre a juventude. Persiste em nossas sociedades um reconhecimento insuficiente dos jovens como interlocutores das políticas, cenários de exclusão e violência amplificam a problemática deste fator. A necessidade ou mesmo a fragilidade de quadros normativos em políticas de estado voltadas aos direitos da juventude, dificulta ainda mais as condições destes jovens.


 Em 2010, houve novamente uma chamada mundial, com o estabelecimento do “Ano Internacional da Juventude 2010 das Nações Unidas”, o que buscou novamente despertar um interesse redobrado na juventude, além de incentivar e apoiar o avanço necessário do estatuto dos jovens, com o objetivo de alcançar um impacto maior em todas as políticas, o que não foi reconhecido em todo o seu contexto, pelas políticas públicas voltadas aos jovens em vários países e principalmente em cenário nacional. 

Um exemplo disso acontece hoje, a crescente demanda política por legitimar a redução da maioridade penal, em um universo de questões onde é notória a maior demanda desses jovens, um estado que lhes garanta educação com qualidade, instituições que integrem instrução, qualificação e capacitação, fortalecendo lhes a auto estima, com oportunidades de empoderamento ético, lhes permitindo enfrentar com dignidade os futuros desafios e o atendimento de suas necessidades.

Apocalípticas mudanças, tem produzido novas condições de existência e trajetórias de vida, menos predeterminadas. Pessoas na fase juvenil, já não correspondem à um pré-projeto para o futuro, a individualização é cada vez maior, a sexualidade presente no momento atual, já não é mais a mesma do período anterior. Suas práticas naufragam pelas incertezas, face à imaginação, e sua aplicação, busca a alta capacidade de aprendizagem em poder dos jovens. A participação dos jovens possibilita alterar o presente com autonomia e identidade, projetando uma mudança social no futuro.

Houve mudanças no conteúdo participativo dos jovens, frente ao exercício da cidadania. Mobilizações conjuntas são uma importante expressão, equivalente aos movimentos sociais tradicionais: ações à curto prazo, apoiadas por recursos tecnológicos avançados, conduzidas em um mundo cibernético, são resultados palpáveis destas mudanças.
Os jovens se organizam para reivindicar seus direitos, sua inclusão no mercado de trabalho, suas necessidades em educação e outros fatores fundamentais ao seu universo. O meio ambiente tem marcado prioridade e apoiam com ênfase oportunidades aos grupos negligenciados e descriminados socialmente, (etnia, identidade sexual, sexo, etc.), arte, cultura, lazer e maior acesso ao mundo digital.
O respeito pela diversidade e individualidade, constitui o centro de suas práticas e muitos não se sentem relacionados com estruturas sociais burocráticas. Mais que, se apoiar em ideologias e partidos, os jovens manifestam suas expressões com ética, estética e na utilização do espaço público.

O papel da ONU e suas principais organizações,  como a UNESCO, tem se mostrado de grande importância, uma vez que vários caminhos estão sendo construídos para a inclusão da juventude junto ao desenvolvimento de suas sociedades, com a produção de informação, publicação de livros e documentos de suporte técnico para os atores-chave no desenvolvimento de programas e políticas, o fortalecimento de grupos de jovens e redes de peritos que estão envolvidos com a construção do conhecimento, além de oferecer treinamento aos jovens para papéis decisivos ao desenvolvimento de políticas, programas em nível estadual e gerenciamento de organizações não-governamentais, estas são algumas das orientações que contribuem para a projeção e consolidação do progresso, um compromisso da instituição com a sociedade global.

A eventual adoção de leis e políticas em nível nacional implica uma aceleração dos processos de participação dos adolescentes e jovens e exigirá quadros técnicos, com jovens formados em desenvolvimento e em direitos, setores relevantes à construção de abordagens substanciais às novas gerações, com estilos e compromissos de gestão para as questões da juventude com coordenação inter setorial em todos os níveis.

A juventude inserida na agenda dos governos e da sociedade num todo, é um processo longo e complexo onde as organizações das Nações Unidas têm desempenhado um papel significativo, contínuo e de elevada importância.


*Dina Krauskopf foi entrevistada por Bérénice Mayor da SHSNews

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