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segunda-feira, janeiro 16, 2012

Fao


MENSAGEM DE JOSÉ GRAZIANO AO FÓRUM INOVAÇÃO – AGRICULTURA E ALIMENTOS PARA O FUTURO SUSTENTÁVEL
Minhas senhoras e meus senhores,
Antes de mais nada, quero expressar minha gratidão ao Fórum Inovação, Agricultura e Alimentos por essa homenagem.
Entendo-a, humildemente, como uma homenagem ao esforço coletivo de dezenas de milhares de pessoas, entidades, movimentos sociais e empresas.
Compartilhamos um mutirão sagrado; talvez o mais nobre desafio da nossa geração: acabar com a fome em nosso tempo.
Uma alavanca poderosa na busca desse objetivo é o acesso à renda, ao crédito, à inovação e à produtividade.
Acesso a recursos e oportunidades é essencial para que as 925 milhões de pessoas que vivem com fome possam superar essa condição, livrando-se do mais ultrajante exílio do século XXI.
Felizmente, um consenso encorajador se forma na agenda internacional nesse momento: a crise que vivemos tem solução.
Ela passa pela retomada do crescimento.
Não qualquer crescimento. Mas aquele que ativa máquinas ociosas, recupera o emprego e a renda, gera e distribui riqueza, incrementa o consumo e propicia receitas para superar o estrangulamento fiscal de inúmeras nações.
A luta pela segurança alimentar pode ser um ponto de convergência precioso; um primeiro passo para fazer a roda girar.
Há vários caminhos por onde começar. A América Latina e o Caribe tem uma proposta ancorada em resultados encorajadores.
Em 18 países do continente, programas de transferência condicionada de renda redesenharam economias locais, expandiram fronteiras do consumo, multiplicaram oportunidades de produção e renda no campo.
Mais de 113 milhões de pessoas foram beneficiadas por esses programas; 78 milhões delas no Brasil e no México.
Criou-se assim um contrapeso de segurança alimentar que explica uma parte da resistência regional ao colapso financeiro que retraiu o comércio internacional e jogou nações no abismo recessivo.
A crise mundial comprovou aquilo que o preconceito não enxergava. Ou não podia admitir: o que fizemos em nossa região não foi apenas uma lufada de assistencialismo.
No Brasil, desde 2003, com o Fome Zero, a emergência foi acudida porque era justo e inadiável. Mas, simultaneamente, implantou-se aqui um guarda-chuva de políticas emancipadoras, com desdobramentos estruturais no emprego e na renda. Entre elas, a expansão do Pronaf; a retomada da assistência técnica aos pequenos produtores; as compras de alimentos do governo federal e a aquisição obrigatória de 30% da merenda escolar junto à agricultura local.
Em parte, minha eleição à FAO reflete a esperança de países pobres e em desenvolvimento em trilhar um caminho de crescimento e inclusão, similar ao brasileiro.
Um requisito indispensável para isso é retomar os investimentos na agricultura. Desde o início dos anos 80, a fatia do setor na ajuda internacional caiu de 17% para 5% do total das transferências ao desenvolvimento. Voluntária ou involuntariamente, muitos governos nacionais também deixaram de investir na atividade rural.
Senhoras e senhores,
A inovação tem um espaço cativo assegurado nessa reconstrução histórica de conceitos e de políticas.
Mas para isso ela também terá que se superar.
No pós-guerra a disseminação dos defensivos e adubos químicos definiu novos padrões de cultivo e manejo, responsáveis pelo grande salto de produtividade da agricultura mundial.
A Revolução Verde permitiu ganhos de produção notáveis. É justo que se reconheça nesse salto o impulso de uma revolução científica.
Hoje, porém, sabemos que o planeta possui recursos naturais finitos. Esse discernimento revolucionou o paradigma do desenvolvimento, comprometendo a agricultura com uma nova revolução, desta vez duplamente verde.
Trata-se de produzir e preservar as fontes da vida na Terra para que as futuras gerações também possam usufruí-las.
Mas não apenas isso. A dimensão social é intrínseca à agenda da sustentabilidade.
Não existirá futuro sustentável num mundo de miséria e fome.
Entre outras coisas, isso significa que não podemos deixar para trás milhões de pequenos produtores, descartados pelos requisitos de manejo e de escala inscritos no pacote modernizante do passado.
A revolução da produtividade que o nosso tempo requer não pode repetir essa vitória pela metade. Ou não atenderá ao mais desconcertante de todos os paradoxos trazidos do século XX: o predomínio da insegurança alimentar entre os pobres que vivem justamente no campo.
A iniciativa privada pode e deve contribuir na construção dessa nova dinâmica que inclui entre os seus requisitos adaptar a inovação às singularidades do ambiente e da sociedade local. Em outras palavras, trata-se de estender aos pequenos produtores o acesso aos ganhos de produtividade, sem anular esse salto com o peso da dependência asfixiante, nem da desordem ambiental.  
A reforma e a ampliação do Comitê de Segurança Alimentar da FAO é um dos fóruns aglutinadores desse esforço ecumênico que aglutina as energias de toda a sociedade. Empresas associadas da ANDEF e da ABAG, por exemplo, participam da  International Agri Food Network que tem assento nesse comitê.
Senhoras e senhores,
Se mantivermos o atual padrão de consumo, nos próximos 40 anos teremos que elevar a oferta mundial de alimentos em 70% para atender a um horizonte demográfico de 9 bilhões de habitantes. Cerca de 80% dessa expansão terá que ser obtida pelo aumento da produtividade.
Padrões de produção e consumo mais sustentáveis terão que ser incorporados a essa equação. Somente assim a vitória contra a fome será também um elo da reconciliação indispensável entre o desenvolvimento e o equilíbrio ambiental.
Erram profundamente os que confundem essa agenda histórica com um impasse neomalthusiano.
Nosso desafio não é escolher quem pode ou não pode comer; quem tem ou não o direito de desfrutar as conquistas da civilização.
Nosso desafio - que o Brasil demonstra ser possível de alcançar - é democratizar direitos, acessos e oportunidades, promovendo o casamento duradouro entre a tecnologia, o meio ambiente e a justiça social.
Tenho a certeza de que juntos, organismos internacionais, sociedade civil e iniciativa privada teremos êxito nessa empreitada.
Muito obrigado.

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