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sábado, julho 09, 2016

Goiânia foi palco de 02 a 07 de maio, da 6ª Conferencia Mundial de Pesquisa de Algodão e a Conferência Bienal do Genoma do Algodão ICGI.

Dinalva Heloiza

Com um amplo quadro de atividades e uma programação que se estendeu do dia 02 ao dia 07 de maio, Goiânia foi palco de uma das maiores conferências mundiais sobre pesquisa do algodão, a 6ª Conferência Mundial de Pesquisa de Algodão e a Conferência Bienal do ICGI (World Cottom Research Conference 6 e Biennial Conference of the ICGI), que juntas apresentaram as  mais recentes descobertas em pesquisas e inovação, responsáveis pelo crescimento do setor e aumento da qualidade do algodão produzido em todo o mundo, em especial no Brasil. A Conferência aconteceu no espaço do Centro de Convenções de Goiânia.



Foi convidado um grupo formado por representantes de seis países da América Latina, destes convidados na AL, cinco apresentaram trabalhos científicos durante o evento. O representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, também participou do evento, quando afirmou que a Conferência é um dos mais importantes espaços da cadeia produtiva e ao fortalecimento da Cooperação Sul-Sul.

                                             Representante da FAO no Brasil - Alan Bojanic

“A Cooperação Sul-Sul é um instrumento importante para buscar mecanismos de sucesso e compartilhá-los entre os países, promovendo um valioso intercâmbio. A experiência da FAO com esse modelo de cooperação triangular tem se mostrado bastante efetiva e esperamos que os resultados sejam cada vez melhores e que vidas e histórias de agricultores e agricultores familiares possam ser mudadas a partir desse trabalho”, ressaltou Bojanic.

A conferência também promove a chance de conhecer e se atualizar sobre os últimos resultados das principais pesquisas realizadas no mundo sobre o tema, assim como promover a troca de experiências entre os países.

Entre os temas abordados na conferência estão o melhoramento e o desenvolvimento de cultivos; a proteção da cultura (incluindo doenças e pragas e seu manejo); as tecnologias de colheita e pós-colheita; o processamento e a qualidade da fibra e economia e competitividade da cultura do algodão.

Outros temas foram a dinâmica social da cultura e transferência de tecnologia; a medição da sustentabilidade nos sistemas de produção de algodão; a questão de gênero na cadeia produtiva, entre outros.

A participação da Argentina, Brasil, Equador, Colômbia, Paraguai e Peru faz parte de um conjunto de ações desenvolvidas pelo governo brasileiro — por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) —, pela FAO e pelos países parceiros do projeto Fortalecimento do Setor Algodoeiro por meio da Cooperação Sul-Sul, que tem como um dos eixos o trabalho de promoção do desenvolvimento das capacidades desses países no setor algodoeiro.

Os países da América Latina, parceiros nesse projeto, têm o objetivo de contribuir para o desenvolvimento sustentável da cadeia de valor do algodão e ampliar as capacidades e os níveis de coordenação interinstitucional para o fortalecimento do setor.

O projeto de Cooperação Sul-Sul Trilateral, coordenado pela FAO e pela ABC, tem suporte técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer), da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e do Ministério do Trabalho, Emprego e Previdência Social do Brasil (MTE), por meio da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), com o apoio financeiro do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA).

Ao todo, dez cientistas apresentaram resultados de pesquisas e inovações para a cotonicultura. São pesquisadores da Alemanha, China, Estados Unidos, Austrália, Itália, Índia e Brasil, trazendo o que há de mais recente e avançado na ciência mundial voltada ao algodão.

O brasileiro Camilo de Lelis Morello foi um dos dez cientistas selecionados para se apresentar na Conferência. Residente em Goiânia, sua pesquisa é de interesse direto dos produtores do Centro-Oeste, ao tratar do desenvolvimento do germoplasma do algodão adaptado ao Cerrado brasileiro.

Visto que o evento ocorreu durante a temporada de plantio do algodão, os participantes tiveram a oportunidade de realizar uma visita técnica a uma fazenda de algodão e uma fiadeira. O participante também teve a chance de conferir a tecnologia usada pelos produtores brasileiros de algodão. Outra visita técnica visou detalhar o trabalho do laboratório da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (AGOPA) e a estação experimental da Embrapa.


As atividades apresentadas somaram 251 apresentações científicas de 42 países, aonde a 6ª Conferência Mundial de Pesquisa em Algodão (WCRC-6) e a Conferência Bianual do Genoma do Algodão, chegaram ao final com um balanço positivo para a ciência. O encerramento das plenárias, mesas-redondas e painéis ocorreu com a cerimônia de agradecimento pelo presidente da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa) e da Comissão Organizadora do WCRC-6, Luiz Renato Zapparoli.

“Tenho certeza de que essa rede de contatos vai aumentar a troca de conhecimento e, em breve, os resultados estarão disponíveis para que o algodão recupere sua cota de mercado, gerando renda, sobretudo, para os produtores”, declarou, ao afirmar que quanto mais forte for o mercado de algodão, mais recursos estarão disponíveis à pesquisa. Zapparoli também ressaltou que o setor não pode ficar indiferente quanto à pobreza que ainda persiste no campo, em várias partes do mundo. “A indiferença frente à dor de alguém nos torna menos humanos”, disse, citando o trabalho realizado pela Embrapa com países africanos e sul-americanos, para a transferência de tecnologia, como exemplo do que as instituições do setor cotonicultor podem fazer por um mundo melhor.

A professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Maitê Vaslin, veio ao WCRC-6 para divulgar sua pesquisa e conferir o que está sendo feito em outros países. Ela ministrou uma palestra sobre o gene de resistência à doença azul do algodão e apresentou um painel do sequenciamento genético do vírus vermelho. “Os trabalhos são muito bons, mas sinto a falta de uma presença maior dos pesquisadores brasileiros, que têm realizado importantes trabalhos na área”, disse.

Marina Rondon e Paulo Aguiar são pesquisadores da TMG, empresa de melhoramento do algodão. Eles vieram de Rondonópolis, no Mato Grosso, para conhecer as pesquisas em andamento e os problemas futuros que podem chegar ao Brasil. “Há doenças e pragas lá fora que podem chegar aqui, por isso estamos direcionando novas pesquisas e nos adiantando a possíveis problemas”, afirmou Marina.

Lawrence Malinga veio de Johanesburgo, na África do Sul, para apresentar um painel sobre o controle do neumatóide, um verme que ataca plantações de algodão em quase todo o mundo. Malinga destacou a última plenária do evento, sobre o manejo integrado de combate a pragas, ministrada pelo Dr. Keshav Raj khranti, do Instituto Central de Pesquisa em Algodão, na Índia. “A África do Sul e a Índia enfrentam problemas similares quanto ao algodão. Por isso é importante aprender diferentes formas de combate a esses problemas que nos são comuns”, explicou.

Trabalhos apresentados

ü  Escritório Regional da FAO para América Latina e Caribe (FAORLC)
  • Perspectivas para o desenvolvimento do algodão no Paraguai, segundo a visão dos custos de transação.
  • Comunicação para o desenvolvimento – mecanismos modificadores de transferência de tecnologia para agricultores familiares algodoeiros.
  • Mulheres algodoeiras: a perspectiva de gênero na cadeia de valor na Argentina, Bolívia, Colômbia, Paraguai e Peru. 
ü  Argentina
  • Quinze anos de algodão transgênico na Argentina: um balanço parcial.
  • O uso de cultivos de inverno como fonte complementar de nitrogênio para a produção de algodão com irrigação.  
ü  Brasil
  • Algodão Paraíba: uma proposta de desenvolvimento local integrado no âmbito da agricultura familiar.
ü  Paraguai
  • Algodão em plantio direto por tração animal na agricultura familiar.
  • IPTA 212 e IPTA 232: duas novas variedades paraguaias do algodão (gossypium spp).
  • Parâmetros produtivos para o setor algodoeiro no Paraguai: análise da linha de base sobre agricultura familiar.
  • Parâmetros econômicos para o setor algodoeiro no Paraguai: análise da linha de base sobre agricultura familiar. 
ü  Peru
  • Espécies nativas de nematoides entomopatogênicos com potencial para o controle de spodoptera frugiperda  smith. e s. eridania (stoll) (lepidoptera: phalaenidae) no Peru.
  • Resposta de uma linhagem de algodão, variedade tanguis para a inoculação com estirpes selecionadas de bactérias promotoras do crescimento (pgpr) em condições controladas, no departamento de Ica, Peru.
  • Melhoramento genético de variedades de fibra extralonga no Peru.
ü  Colômbia
  • Desenvolvimento de duas provas piloto de produção de fibra de algodão por meio de dois sistemas produtivos: orgânico e de baixo impacto ambiental.

O Projeto com vistas a sustentabilidade do evento, organizado para o WCRC foi destaque pela iniciativa que focou minimizar os impactos socioambientais dos resíduos descartáveis na ocasião. Houve critérios do início ao fim da Conferencia, que ocorreu desde a escolha dos materiais que provocam menor impacto ambiental, como copos biodegradáveis até os materiais reciclados para montagem de estandes e painéis. Outro dos compromissos foi o de neutralizar as emissões de gases de efeito estufa com o plantio de 3,6 mil árvores. Vários produtores de Goiás já ofereceram áreas para o plantio das árvores e o cronograma de ação está em fase de conclusão.


Uma parceria com a Cooper Rama (Cooperativa de Catadores) possibilitou a gestão dos resíduos recicláveis gerados na preparação e realização do WCRC-6, o que gerou 160,37 quilos de materiais doados, tais como chapas de alumínio, latas, garrafas pet, papéis e óleo vegetal, o que representou um aumento de renda de 16.6% a mais para 20 famílias que dependem da cooperativa para viver. Essas famílias também receberam 115 quilos de alimentos, além do envolvimento desses cooperados na sensibilização e na capacitação das equipes de montagem, limpeza, alimentação e equipamentos.

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