Foto: © Rene Bernal/Unsplash
sexta-feira, outubro 15, 2021
Comitê dos Direitos da Criança: países podem ser responsabilizados por impacto climático
Foto: © Rene Bernal/Unsplash
terça-feira, julho 20, 2021
Com o título inédito de Capital Mundial da Arquitetura, concedido pela UNESCO e pela UIA, o Rio sedia o 27º Congresso Mundial de Arquitetos.
27º Congresso Mundial de Arquitetos
Todos os Mundos, Um só Mundo. Arquitetura para o Século 21.
Em 2019, em razão da escolha do Rio de Janeiro para sediar o 27º Congresso Mundial de Arquitetura, a UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura, juntamente com a UIA – União Internacional de Arquitetos, escolheram o Rio de Janeiro como sendo a primeira Capital Mundial da Arquitetura, e de 18 a 21 de Julho de 2021 o Rio de Janeiro se torna o epicentro da arquitetura no mundo.
O maior evento mundial da Arquitetura e do Urbanismo Mundial, teve início neste domingo 18 de Julho na cidade do Rio de Janeiro. O evento que é um encontro de gerações, veio para ficar marcado na história, e inaugura um palco digital ao vivo, na semana mais intensa e especial do 27º Congresso Mundial de Arquitetos!
segunda-feira, julho 12, 2021
Um acordo entre a UNESCO, o Congresso Judaico Mundial e o Facebook expande a educação sobre o Holocausto para 12 idiomas
Recentemente, a hashtag #HitlerWasRight foi tendência nas redes sociais. Uma indicação clara de que ainda existe uma forte crença em todo o mundo de que o genocídio de mais de seis milhões de judeus pelo regime nazista alemão durante a Segunda Guerra Mundial foi a coisa certa a fazer. Narrativas anti-semitas semelhantes, abertas e mais insidiosas, estão se espalhando rapidamente na Internet.
Um estudo recente do Strategic
Dialogue Institute encontrou “#Holohoax”, que nega a verdade histórica do
Holocausto, em 36 grupos do Facebook totalizando mais de 360.000 seguidores,
bem como referências no Reddit, Twitter e YouTube, todos criados entre junho de
2018 e Julho de 2020.
As plataformas de mídia social se
tornaram ímãs para reivindicações que negam, distorcem ou glorificam a história
do Holocausto, como comparações entre as restrições devido ao COVID-19 e a
perseguição de judeus sob o regime nazista, e a proliferação renovada da
hashtag "Hitler "durante o recente conflito entre Israel e Palestina.
Essas afirmações costumam ser
baseadas em narrativas e tropos anti-semitas profundamente enraizados, e tanto as
mídias sociais quanto a esfera cibernética fornecem um terreno fértil para
espalhar novos ódios baseados na ignorância e na desinformação deliberada.
Para lidar com esse aumento
alarmante e fornecer acesso a informações factuais sobre o Holocausto, as
empresas de mídias sociais podem fazer uma diferença imediata, alterando seus
termos de serviço e políticas.
A partir de 8 de julho de 2021, o
Facebook vem conectando as pessoas ao site AboutHolocaust.org, desenvolvido pelo
Congresso Mundial Judaico em colaboração com a UNESCO, como um recurso
abrangente que fornece informações essenciais sobre a história do Holocausto e
seu legado. A iniciativa, que foi testada em inglês em janeiro, agora está
sendo implementada em 12 idiomas para pessoas em todo o mundo.
terça-feira, julho 06, 2021
Uma promessa não cumprida: 12 anos de educação para todas as meninas
Tradução Dinalva Heloiza
Esta semana, enquanto governos, organizações internacionais, sociedade civil, juventude, setor privado e ativistas de todo o mundo se reúnem para o Fórum de Igualdade de Geração em Paris, a UNESCO e o Relatório de Monitoramento da Educação Global apelam aos países para garantir que todas as meninas completem 12 anos de educação segura e de qualidade até 2030.
quarta-feira, janeiro 27, 2021
A ano de 2021, traz complexidades ao Brasil em especial nas questões do Clima, Cidades e Florestas.
Com Informações do WRI Brasil
Neste momento, ainda no início de 2021, não é possível prever como as vacinas contra o vírus podem mudar o destino da humanidade no próximo ano, nem como será a trajetória do Brasil na recuperação da crise causada pela Covid-19. O ano de 2021 começa com essa mistura de incertezas e expectativas – e um forte senso de urgência.
O mês de janeiro, também marca o
início de uma nova década cheia de grandes desafios como a emergência
climática, a necessidade de tornar as economias mais limpas, de mudar a nossa
relação com as florestas, o uso da terra, os espaços urbanos, reduzir as
desigualdades, o racismo e muitos outros.
quarta-feira, dezembro 09, 2020
No 72º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, é possível celebrar – Defenda os Direitos Humanos!
Dinalva Heloiza
O 72º aniversário da Adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU – comemorado em 10 de Dezembro - Dia Internacional dos Direitos Humanos – é sempre uma data à celebrar, e no Brasil não poderia ser diferente. Mas em 2020, por uma série de dados publicados, e muitos outros omitidos por órgãos responsáveis, é certo que pouco temos a celebrar, e muito a defender, e não poderíamos jamais nos omitir em informar e conscientizar sobre a importância da data, para que possamos ao menos esperançar que os próximos anos sejam mais plenos em dignidade, com o fortalecimento hoje, do imperativo que urge na defesa e preservação da legitimidade dos direitos humanos, junto à todos os povos da Terra, nesse momento crítico, especialmente do Brasil.
segunda-feira, dezembro 07, 2020
Anastasia Divinskaya, Representante da ONU Mulheres Brasil, "A interseccionalidade dos direitos humanos é central para o nosso trabalho no Brasil"
Dinalva Heloiza
Ms. Anastasia Divinskaya - Representante da ONU Mulheres Brasil Foto: cortesia ONU Mulheres Brasil
Em 10 de dezembro de
1948, a Organização das Nações Unidas (ONU), proclamou a Declaração Universal
dos Direitos Humanos no Palais de Chaillot, em Paris, na França, como uma norma comum a ser alcançada por todos os povos e nações. Desde então, a data tem um símbolo histórico e vigente, em todos os dias de
nossas vidas, e é nessa data, quando comemoramos o Dia Internacional dos Direitos Humanos.
Durante o período de 2007 a 2010,
ela assumiu o programa nacional UNIFEM / ONU Mulheres no Quirguistão, cobrindo
a liderança e a participação das mulheres e fornecendo financiamento para
garantir a igualdade de gênero e o empoderamento econômico das mulheres,
período em que também trabalhava na coordenação da ONU, no país.
De 2010 a 2013, Ms. Anastasia Divinskaya
trabalhou na ONU Mulheres da Moldávia, liderando o programa de descentralização
e governança local com perspectiva de gênero, com foco nos direitos das
minorias.
Posteriormente ela atuou como
Representante Adjunta da ONU em Timor-Leste. Em julho de 2015, Anastasia
Divinskaya assumiu a Chefia do Escritório da ONU Mulheres na Ucrânia, e em agosto
de 2018, ela foi designada Representante da ONU Mulheres na Ucrânia.
Em 16 de Dezembro de 2019, após
sua designação para o Brasil, ela assume a representação da ONU Mulheres Brasil,
e em alguns dias ela completa um ano à frente da entidade no Brasil.
Durante esse período relativamente
curto, com desafios constantes, é certo que os avanços alcançados mais do que
nunca estão presentes, o que se deve ao incansável trabalho exercido sobre o
seu comando e de toda a equipe da ONU Mulheres no Brasil, o que vem consolidando
conquistas revigoradas para garantir que mulheres e meninas não sejam deixadas
para trás, e possam alcançar um desenvolvimento mais justo.
A soma de suas exitosas
experiências, alinham-se ao conjunto de suas capacidades, o que lhe permitiu
conquistas e sucessos, colocando a representação da ONU Mulheres no Brasil, em
um patamar de destaque em nossa região. Ao observar sua inegável capacidade de
atuar frente a grandes desafios, e o olhar significativo de defesa e proteção
aos direitos das mulheres, Ms. Anastasia com sua generosa atenção e especial
cordialidade, nos concede a entrevista a seguir, via e-mail.
Dinalva Heloiza – Gostaria de conhecer um pouco sobre suas primeiras aspirações, enquanto jovem e mulher, em seu país de origem, ao momento em que alcançou os primeiros postos de trabalho junto a ONU, e posteriormente como representante da ONU Mulheres Brasil, os desafios, conciliação com a família, e finalmente como foi seu primeiro contato com o Brasil?
Anastasia Divinskaya - Em
primeiro lugar, gostaria agradecer pela oportunidade e o seu interesse pelo
trabalho da ONU Mulheres no Brasil.
Comecei a minha carreira na ONU
há 20 anos, como assistente júnior no meu país de origem - Quirguistão. Diria
que foi nessa altura que percebi pela primeira vez que os direitos humanos e a
igualdade de gênero eram muito mais do que uma área do meu interesse. Ao
observar e aprender o trabalho das Nações Unidas sobre direitos humanos,
apreciei a importância dos direitos humanos para a minha própria vida, que isto
representava quem eu era baseada no fato de ser mulher, a minha origem étnica
minoritária, as minhas aspirações de carreira e a minha formação acadêmica.
Refletia quem eu era
verdadeiramente e estava na minha mente e no meu coração ao ver as injustiças
dos direitos humanos. As Nações Unidas são fundamentais na promoção de um
sistema baseado no Estado de direito a nível internacional, ancorado na Carta e
enquadrado pelo corpus de tratados internacionais e mecanismos de justiça
desenvolvidos sob os seus auspícios. O trabalho inspirador das Nações Unidas no
meu país de origem afirmou a minha convicção de que, fazendo parte desta
organização, poderei dar a minha contribuição para a promoção e proteção dos
direitos humanos e promoção da igualdade de gênero.
Desde então, ao longo de toda a
minha carreira, nunca pensei em mudar da ONU para outro local de trabalho. Quer
tenha trabalhado em prol dos direitos humanos e da integração da perspectiva de
gênero na reforma da descentralização na Moldávia, quer tenha gerido o complexo
programa nacional em Timor-Leste, ou estabelecido o escritório da ONU Mulheres
na Ucrânia, sempre partilhei o sentido de pertencer à comunidade de
profissionais das Nações Unidas que trabalham diariamente para encontrar
soluções para problemas complexos: desde acabar com os conflitos e aliviar a pobreza,
até à defesa dos direitos humanos e tornar a igualdade de gênero uma realidade
para milhões de mulheres e meninas.
Seria justo dizer que a ONU tem sido mais do que apenas um trabalho. É uma parte significativa da minha vida. A vida que partilho com o meu marido e a minha filha. A propósito, conheci o meu então futuro marido no trabalho. Ele ocupou vários cargos na organização, desde oficial de Coordenação da ONU no Quirguistão a analista político no Iraque. Ele é agora aposentado da ONU.
Assim, ele compreende claramente a natureza do meu
trabalho, partilha os meus valores e me dá um tremendo apoio. Posso dizer com
certeza que partilhar valores e obter apoio do meu marido e da minha filha, que
está sendo educada com uma centralidade de direitos humanos, tem sido de enorme
importância para a minha estima e carreira durante todos estes anos.
Trabalhar no Brasil é um sonho tornado realidade para mim. Tenho acompanhado com grande interesse e admiração o trabalho da fabulosa equipe da ONU Mulheres no Brasil durante algum tempo antes de me candidatar a este cargo. O trabalho exemplar sobre a interseccionalidade dos direitos humanos como fundamento do programa de país foi apelativo e me fez desejar me juntar e explorar como posso aplicar a minha própria experiência e trabalho e fazer parte da visão da ONU Mulheres no Brasil.
Juntar-me à equipe em dezembro do último ano excedeu as minhas
expectativas. Esta é uma comunidade fantástica de
profissionais apaixonados e apaixonadas pela justiça social e igualdade para todas
as pessoas! Temos um programa de país de tirar o fôlego, parcerias
fantásticas e muitas oportunidades.
Dinalva Heloiza - Em 10 de dezembro, celebramos o 72º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos promulgada pela ONU em 1948. Após 72 anos desse marco histórico, o que podemos celebrar diante das conquistas alcançadas pela ONU Mulheres Brasil, tendo como base os princípios dos direitos humanos da Declaração Universal?
Anastasia Divinskaya - Neste
ano, a comemoração do Dia Internacional dos Direitos Humanos, 10 de
dezembro, é especial.
O ano 2020 é um ano massivo para
a igualdade de gênero. Tem uma conjuntura de aniversários dos acordos de
referência, que mobilizou líderes mundiais, Estados membros da ONU e movimentos
de mulheres para a realização dos direitos humanos das mulheres. Este ano
comemoramos o 20º aniversário da Resolução 1325 do Conselho de Segurança da
ONU sobre Mulheres, Paz e Segurança, a primeira a ligar as experiências de
conflito das mulheres à agenda internacional de paz e segurança.
Em setembro comemoramos o 5º aniversário da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como um apelo universal à ação para acabar com a pobreza, proteger o planeta e assegurar que todas as pessoas gozem de paz e prosperidade até 2030.
Alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres é um objetivo autônomo - o Objetivo 5-, e também parte de todos os outros objetivos, com muitas metas que reconhecem especificamente a igualdade e o empoderamento das mulheres como o objetivo, e como parte da solução. A Agenda 2030 é clara: a menos que o progresso na igualdade de gênero seja acelerado, a comunidade global não conseguirá alcançar os ODS.
É importante notar que este ano
celebramos 25 anos de adoção da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim,
que continua a ser a agenda global mais abrangente e transformadora para a
realização da igualdade de gênero, e a sua visão ousada para a transformação da
vida das mulheres e meninas tem relevância renovada.
A promoção dos direitos humanos das mulheres está no centro do trabalho da ONU Mulheres a nível global e no Brasil, incluindo o apoio à implementação da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), que é central para a realização dos direitos humanos das mulheres e o envolvimento com os mecanismos internacionais de direitos humanos, em geral, bem como a promoção dos direitos humanos das mulheres na implementação dos ODS.
A nossa equipe
contribui para reforçar a capacidade dos governos a nível federal e estadual,
do parlamento e do poder judicial para fazer cumprir e acompanhar os progressos
na implementação dos compromissos internacionais e dos quadros políticos e
jurídicos nacionais. Contribuímos para reforçar a investigação e a coleta e
análise de dados para monitorar a igualdade e a não discriminação com base no
sexo, raça e etnia.
O trabalho da ONU Mulheres está
enraizado no movimento das mulheres. Orgulhamo-nos das nossas parcerias com a
sociedade civil diversificada e vibrante do Brasil e com diversos grupos de
mulheres. E estamos orgulhosas da nossa contribuição para a construção e
fortalecimento do movimento de mulheres no Brasil. Estes são a chave para a
concretização da nossa visão de tornar a igualdade e uma vida livre de
discriminação uma realidade de TODAS as mulheres e meninas no Brasil.
É por isso que a
interseccionalidade dos direitos humanos é central para o nosso trabalho no
Brasil. As mulheres não são um grupo homogêneo. Certos grupos de mulheres, além
de sofrerem de discriminação dirigida contra elas como mulheres, podem também
sofrer de múltiplas formas de discriminação com base em motivos adicionais como
raça, identidade étnica ou religiosa, deficiência, classe ou outros fatores.
Tal discriminação pode afetar estes grupos de mulheres principalmente, ou em
grau diferente ou de maneiras diferentes dos homens. Por outras palavras, enquanto todas as
mulheres enfrentam discriminação baseada no gênero, certos grupos de mulheres
enfrentam formas adicionais de discriminação devido a outros fatores.
No entanto, mesmo a discriminação
que enfrentam devido a tais fatores é específica do gênero. Por exemplo, durante o conflito, e em
particular quando a agressão é dirigida a um determinado grupo étnico, as
mulheres são alvo de violência sexual. Há inúmeros outros exemplos. Na Europa, as ciganas e outras mulheres dos
grupos minoritários, as mulheres que vivem com HIV, e as mulheres com
deficiência têm sido forçadas ou coercivamente esterilizadas.
Na América Latina, as trabalhadoras migrantes
sofrem abusos sexuais nas mãos dos seus empregadores ou são afetadas quando as
leis laborais não protegem o seu setor de trabalho, resultando na negação de
benefícios, incluindo os relacionados com a maternidade. Devido à natureza específica do gênero da
discriminação dentro do grupo, colaboramos com todos os ramos do poder e
diversos grupos de mulheres na identificação das respostas, as quais são
orientadas pela CEDAW e pelos outros tratados de direitos humanos.
Dinalva Heloiza- Quando
o gênero, raça, etnia, classe, religião ou crença, migração, ou qualquer que
seja a discriminação se cruzam, intrincadas redes de privação são criadas,
fortalecendo a negação de direitos, que impedem, minam e oprimem. Diante dessa
cruel dinâmica, mulheres, meninas, afrodescendentes, indígenas e a comunidade
LGBTQI+ são as mais afetadas. Como a ONU Mulheres, está definindo sua atuação
junto ao Brasil, promovendo a igualdade e dignidade humana, visando a inclusão
e a transformação humanitária nesses cenários?
Anastasia Divinskaya - Esta
é uma questão muito boa. Nestes dias, estamos a implementar os 16 Dias de
Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, observados sob a
égide da campanha do Secretário-Geral da ONU “UNA-SE pelo Fim da
Violência contra as Mulheres”.
Assim, eu gostaria de apresentar
a questão da violência contra as mulheres e meninas como exemplo.
Globalmente, mesmo antes da COVID-19, uma em cada três mulheres já havia sofrido violência física ou sexual durante a sua vida. Só no ano passado, 243 milhões de mulheres e meninas, entre 15 e 49 anos de idade, sofreram violência sexual ou física por um parceiro íntimo.
Trata-se de uma pandemia de proporções inimagináveis. Em alguns países, tais como os afetados por conflitos, a situação é ainda pior, onde cerca de 70% das mulheres e meninas reportaram já ter sido vítimas de violência baseada em gênero. À medida que o mundo recuou para o interior das casas devido às medidas de distanciamento e isolamento sociais introduzidas para conter a pandemia da COVID-19, relatórios evidenciaram um aumento alarmante da já existente pandemia de violência contra as mulheres em diversos países.
A violência é também generalizada
e sistêmica no Brasil. A cada 2 horas uma mulher é assassinada. No ano de 2018,
4.519 mulheres foram assassinadas e 68% das vítimas eram negras. Entre 2008 e
2018, os assassinatos de mulheres negras aumentaram 12,4% enquanto os
assassinatos de mulheres não negras diminuíram 11,7%. Em 2019, a polícia registrou 66.123 casos de
estupros: 85,7% eram mulheres e 57,9% das vítimas tinham menos de 13 anos de
idade.
A análise dos dados de 2019 sobre
vitimização mostrou que: a cada hora, 526 mulheres foram vítimas de agressão
física (4.7 milhões de mulheres ou 9%); 27.4% das mulheres brasileiras com 16
anos ou mais sofreram algum tipo de violência nos últimos 12 meses (16 milhões
de mulheres); 21.8% foram vítimas de ofensa verbal, como insulto, humilhação ou
xingamento; 8.9% foram tocadas ou agredidas fisicamente por motivos sexuais (9
por minuto – 4.6 milhões); 3.9% foram ameaçadas com faca ou arma de fogo (1.7
milhão); 3.6% sofreram espancamento ou tentativa de estrangulamento (3 por
minuto – 1.6 milhão); 42.6% das mulheres de 16 a 24 anos afirmaram ter sofrido
violência nos últimos 12 meses; 28.4% das vítimas eram pretas; 27.5% eram pardas; e 24.7% eram brancas .
Mesmo quando analisamos os números gerais da população, a situação é chocante. Ao olhar para além da média e considerar a situação das mulheres que reiteradamente são deixadas para trás, nos deparamos com um quadro ainda mais desafiador. No Brasil, muitos grupos de mulheres enfrentam rotineiramente formas múltiplas e cruzadas de discriminação tais como destacadas anteriormente.
Estes grupos enfrentam violações de
direitos humanos, intolerância e discriminação particularmente severa no acesso
a espaços de poder e tomada de decisão,
oportunidades de trabalho e emprego – especialmente aqueles que se enquadram no
conceito de trabalho decente, serviços relacionados ao cuidado com saúde e
educação. Enfrentam também barreiras significativas de acesso aos serviços essenciais
referentes a violência contra mulheres e meninas.
Não deixar ninguém para trás - especialmente estas mulheres e meninas que são ameaçadas ou sofrem violência, ou foram em algum momento de sua vida sujeitas a esta violação de direitos humanos -, requer recursos, políticas, compromissos e programas que se concentrem em atingir as comunidades mais marginalizadas.
É por isso que ao
colocar em destaque as vastas implicações e consequências da violência contra
mulheres e meninas pertencentes aos grupos mais discriminados e socialmente
marginalizados no Brasil, pretendemos este ano, por meio da campanha UNA-SE,
sensibilizar e desencadear uma conversa a nível nacional sobre a necessidade de
políticas, reformas e serviços inclusivos, não discriminatórios, sustentáveis e
que adotem uma perspectiva interseccional.
Estamos encantadas por ver que a
cada hora mais e mais instituições, empresas do setor privado, municípios e
estados, bem como universidades, organizações da sociedade civil e organizações
de base, estão a aderir à campanha. É um movimento crescente!
Dinalva Heloiza - A ONU Mulheres vem alcançando uma forte adesão de instituições, famosos, sociedade civil e empresas, através da iniciativa HeForShe ou ElesporElas, onde convida especialmente homens, empresas e instituições, a se engajarem no combate à violência contra a mulher, e recentemente contou com adesão do STJ – Superior Tribunal de Justiça. Olhando para essa iniciativa, poderia discorrer sobre como instituições e demais atores da sociedade podem se engajar, participar, contribuir e mesmo financiar essa luta?
Anastasia Divinskaya - Durante
séculos, o movimento de mulheres tem liderado a luta pela igualdade de gênero.
No entanto, embora tenham sido feitos enormes progressos nos direitos e
bem-estar das mulheres e meninas no que diz respeito à saúde, educação,
participação política e rendimento - a igualdade substantiva de gênero precisa
ser alcançada.
Este momento na história
representa uma oportunidade única de posicionar a igualdade de gênero e o
empoderamento das mulheres no centro da agenda global - os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável e a promessa de fazer de 2030 a data de expiração
da desigualdade.
Este impulso proporciona uma oportunidade sem paralelo de envolver homens e meninos, como parceiros, na abordagem de algumas das maiores violações dos direitos humanos da nossa geração.
No entanto, é apenas um começo. A realização de pesquisas sobre homens, masculinidade e igualdade de gênero, provaram que a realização da igualdade de gênero tem dois pré-requisitos. O primeiro é a mudança cultural e social - ou a aceitação por parte de homens e meninos da importância e dos benefícios de uma sociedade igualitária em termos de gênero. O segundo é uma mudança institucional. Apesar deste reconhecimento, o envolvimento de homens e meninos como parceiros iguais na formação e implementação de uma visão partilhada da igualdade de gênero precisa ser realizada plenamente.
Durante os primeiros anos, ElesPorElas
no Brasil concentrou-se no avanço da igualdade de gênero por:
1 CRIANDO SOLIDARIEDADE ao
reunir metade da população brasileira (homens) em apoio da outra metade
(mulheres) para benefício de todos e todas.
2 ENGAJANDO OS HOMENS:
proporcionando uma plataforma para os homens se identificarem com as questões
da igualdade de gênero e os seus benefícios, que libertam, não só as mulheres,
mas também os homens, dos papeis sociais estabelecidos e dos estereótipos de
gênero.
3 REENGAJANDO JUVENTUDE: a
juventude continua a ser um recurso inexplorado para uma mudança, apesar de
estar mais bem posicionada e ter mais oportunidades para moldar o
desenvolvimento, com o seu acesso à informação, tecnologia, educação e
formação.
O movimento da solidariedade
brasileiro ElesPorElas é muito jovem. No entanto, os níveis de mobilização,
crescimento da audiência, apoiadores e defensores foram notáveis. No futuro, o
nosso objetivo é aumentar o movimento em três frentes de ação do ElesporElas:
consciência, defesa e ação (o que corresponde a):
1 A: CONSCIÊNCIA (AWARENESS)
para a Educação e Sensibilização
No seu âmago, ElesPorElas promove
a sensibilização, permitindo que os homens desempenhem um papel maior nas suas
próprias vidas, nas suas comunidades, para acabar com a persistente
desigualdade enfrentada pelas mulheres e meninas no Brasil.
Planejamos utilizar uma
combinação direcionada de meios de comunicação social e cultural e ferramentas
de sensibilização para ampliar o alcance e dar visibilidade ao impacto que a
igualdade de gênero implica tanto aos homens como às mulheres, assim como as
lideranças que estão comprometidas em promover a mudança.
Como exemplo, os parceiros ElesPorElas
de diversos meios de comunicação - on-line, imprensa, televisão e rádio - podem
implementar análises de conteúdos de gênero, impulsionar a cobertura de
questões de igualdade de gênero, implementar projetos dedicados, tais como Barber
Shop Talks*.
2 A: DEFESA (ADVOCACY):
que impulsiona a criação de impacto em apoio à política, envolvendo homens para
avançar na realização da igualdade de gênero nas suas instituições e nas
reformas nacionais.
Aqui, gostaria de mencionar um
notável compromisso do Superior Tribunal de Justiça, que esperamos que seja
seguido com as ações concretas para avaliar criticamente as suas práticas
internas e estabelecer os seus sistemas para um avanço efetivo da igualdade de
gênero.
3 A: AÇÃO: já assistimos a
um envolvimento com pessoas, empresas, meios de comunicação social, indústria
criativa e instituições de ensino a assumirem os seus compromissos e a tomarem
medidas. Gostaríamos de ver ações mais tangíveis na esfera da arte, cultura e
esporte. Vimos a ação das partes interessadas, cooperação entre as empresas e
as indústrias criativas, resultando numa transformação gradual da publicidade
de sexista para mais igualitária em termos de igualdade de gênero e
empoderamento das mulheres. Esta mudança é altamente importante para combater
os estereótipos de gênero e as normas de gênero.
ElesPorElas pode
estimular a arrecadação de fundos, iniciativas inovadoras de marketing de
causas, e o patrocínio empresarial pelas empresas privadas dos projetos e
iniciativas que visam a eliminação das desigualdades entre mulheres e homens.
É disto que a ElesPorElas
se trata. O movimento reformula o diálogo sobre igualdade de direitos,
reformula a igualdade de gênero a partir de uma questão de mulheres, para uma
questão que requer a plena participação de mulheres e homens, em benefício de
toda a sociedade - social, política e economicamente.
Anotações e Referências.
*Barber Shop Talks
– É uma conversa de barbearia - As primeiras Barber Shop Talks
foram realizadas em fevereiro de 2018. Um participante disse que
seu barbeiro era seu “terapeuta, treinador e tudo mais”. Ele
também mencionou que ir visitar seu barbeiro para cortar o
cabelo regularmente ajudou a construir sua identidade de “homem negro” e à
medida que envelhecia “ era uma necessidade” para ele visitar
seu barbeiro. A partir de então esse se tornou um talk show americano
tendo como cenário, uma barbearia onde se discutem questões de gênero, raça e
discriminação, dentre outros.
sábado, outubro 24, 2020
Nós, os Povos das Nações Unidas, pelos Direitos Humanos e Liberdades Fundamentais!
O 75º aniversário da ONU, a participação do Brasil no período e os destaques alcançados.
Dinalva Heloiza * Jornalista e Voluntária do UNV - Programa de Voluntariado das Nações Unidas
sexta-feira, outubro 23, 2020
O STJ – Superior Tribunal de Justiça, adere ao Protocolo HeForShe, da ONU Mulheres Brasil, com a presença virtual da Representante no Brasil, Anastasia Divinskaya
Com Informações da ONU Mulheres Brasil e STJ
Por mais de um século, os
movimentos das mulheres têm liderado uma reivindicação política e de direitos
humanos, por igualdade de gênero, fim da violência, justiça social com relação
à saúde e à educação, e participação política e econômica, a igualdade de
gênero é fator fundamental e deve ser alcançada em todo o mundo, e em especial
no Brasil.
sexta-feira, agosto 28, 2020
Maria Ester, especialista em Cidades, convida os vereadores goianos a adiarem votação do PD, e afirma, urge aplicar os princípios dos ODS - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - da ONU, ao Plano Diretor, em combate às profundas desigualdades em nossa cidade.
Dinalva Heloiza
As cidades são hoje, os espaços
com maior concentração populacional e ao menos por duas décadas, demandam, contínua exigência planetária, o imperativo de se alinharem à um novo modelo em políticas públicas, onde urge, o estabelecimento do desenvolvimento sustentável.
Essa exigência ética, propõe minimizar desafios relacionados à pobreza, as desigualdades sociais, a
mobilidade, a degradação ambiental, a vulnerabilidade e aos desastres e
impactos da mudança climática. A relação homem natureza tem sido estabelecida
ao longo da história por uma lógica predatória, na qual o ser humano usa,
destrói e desregula o espaço natural.
A preservação do ambiente natural das cidades, é um princípio ético e inclusivo do desenvolvimento econômico, e assim está inserido no contexto dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, da Agenda 2030 da ONU.
segunda-feira, agosto 17, 2020
O insustentável estado, que nos impinge o fardo do obscuro poder!
Dinalva Heloiza
Se uma sociedade se apresenta
extremamente desigual, ela não é democrática, e sendo desigual, como funciona
um Estado Democrático de Direito?
Simplesmente, não funciona!
Ao observarmos os fundamentos da
ordem que constitui o Estado Democrático de Direito, a dignidade da pessoa humana, é o terceiro dos cinco princípios que estabelecem o cerne constitucional do estado de direito, das leis e da construção das políticas públicas - significa que a dignidade humana, é fator prevalente
na construção das políticas públicas, e assim afirma o Art. 1º da Constituição
Federal.
Nesse caso, quando a desigualdade prevalece, o estado perde sua função social, e se afasta dos princípios
constitucionais democráticos, gerando o estado desigual, o estado da omissão pública, o
estado corrupto, o estado do confronto.
















